O amigo do homem desaparecido se aproximou da janela do seu apartamento tendo na mão o livro que o desaparecido dedicara a ele: “Para você, meu grande amigo”.
Sobre o conto Prisão Azul, edição de José Aléssio
O amigo do homem desaparecido se aproximou da janela do seu apartamento tendo na mão o livro que o desaparecido dedicara a ele: “Para você, meu grande amigo”.
Uma vez no labirinto, chegou um momento em que tive a impressão de que cruzava repetidamente comigo mesmo, de que eu era o outro, dentro e fora de mim, até que, desconcertado, escolhi ficar um instante quieto num ponto, talvez assim pudesse recuperar meus sentidos, e foi então que me vi, com espanto, passar por outro dos caminhos equivocados e sem saída.
Não sou um desses tristes oportunistas, de ocasião. Sou triste por convicção.
***Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passadosSei: com o tempo só os mortos sobrevivem.
"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como quem fica
Um dia vou aprender a ficar
vou ficar
como quem parte"
No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça de seus cinco anos.
Seus cabelos castanhos – a fita azul – o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco…Não te rendas, ainda estás a tempo
de aceitar as tuas sombrasCada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Eu fui condenado sem merecimento, por um sentimento, por uma paixão. Sei que detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer. Explode coração. Por isso eu peço, senhora Liberdade, abre as asas sobre mim. Só me resta pedir uma ideologia, eu quero uma pra viver, pois tudo muda, e eu só queria ter do mato um gosto de framboesa pra correr entre os canteiros e esconder minha tristeza. Tudo muda, mas eu continuo o mesmo, eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do Interior.