Esse que em mim envelhece
assomou ao espelhoa tentar mostrar que sou eu.
Os outros de mim,
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me a sós, perplexo,
com meu súbito reflexo
Ninguém tem culpa
Daquilo que não fomos!
Não houve erros,
Nem cálculos falhados
Sobre a estepe de papel.
Apenas,
Não somos os calculistas
Porém os calculados,
Não somos os desenhistas
Mas os desenhados,
Cresci menino com Deus.
Minha mãe acho que foiTenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um meninoNo tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,Mas era apenas isso, era isso, mais nada?
Era só a batida numa porta fechada?
E ninguém respondendo, nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura, uma chave perdida?
Isso, ou menos que isso uma noção de porta,
o projeto de abri-la sem haver outro lado?
O projeto de escuta à procura de som?
O responder que oferta o dom de uma recusa?
Como viver o mundo em termos de esperança?
E que palavra é essa que a vida não alcança?
Esperando pela morte
como um gatoDepois de tudo minha casa permanecerá nos fundos,
minguantes novos, cidades mortas, ruas desconhecidas,
barcos de vento, perdidos sons
foi lá que brinquei de longe e perdi-me de mim
foi lá a primeira tosquia quando me tiraram tudo
nem o leque para afugentar a maturação
nem a haste para defender-me das feras
nem o silêncio para vestir-me no esquecimento
depois de tudo minha casa permanecerá nos fundos
foi lá que brinquei de longe e me perdi de mim
Edição: José Claisson Aléssio
Atrás daquela montanha
tem uma flor amarela;Na minha terra há um rio
que nunca vai ter ao marA aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,