Olho para minha estante e apanho um livro antigo.
É um livro de um escritor barato, e está no meio de romances de escritores nada baratos. Dostoievski e Tolstoi, Balzac e Flaubert, Hemingway e Fitzgerald, Machado e Eça, Roth e Updike, Chandler e Hammett, Garcia Marques e Vargas Llosa.É um livro simples, banal, tolo.
Mas eu o amo, e ele sobrevive às limpezas periódicas de livros em minha biblioteca. O nome é Verão de 42, escrito por um certo Herman Raucher, e inspirou um filme tão bonito quanto o livro, e isso é raro.
A trilha sonora, um piano lírico, melodioso, lento, triste, é uma das mais belas do cinema.
Um cara retorna ao lugar em que passou o verão de sua vida, uma praia.
Essa a história.
O narrador lembra aqueles dias ensolarados, aqueles tempos de descobertas e transformação que a gente vive apenas aos quinze anos. Vou direto ao final. Quero reler as últimas linhas ainda uma vez.